Este artigo é sobre Tecnologia

A revolução do Open Finance e os impactos no mundo financeiro

Celso Kleber

Diretor Executivo da Qintess

Publicado em
17 de Setembro de 2021

O mercado financeiro global está em constante transformação.

O mercado financeiro global está em constante transformação. Com a evolução da tecnologia, as mudanças que vêm acontecendo nos negócios podem ser vistas como verdadeiras revoluções que afetam todo o cenário e as regras desse segmento.

Em uma sociedade extremamente conectada, onde a tecnologia avança em um ritmo avassalador, dados e informações pessoais se tornaram um capital precioso, cada vez mais cobiçado pelas empresas. 

Hoje, é absolutamente tudo sobre dados.

Assim, o conceito de sistema Open Banking surgiu, em meados de 2016 na Europa, com a proposta de centralizar os modelos de negócio no cliente. Em outras palavras, colocá-lo como agente do compartilhamento de suas informações

Com o surgimento da COVID-19, esse processo se intensificou. De acordo com uma pesquisa internacional da Experian, o número de pessoas que opta por compartilhar seus dados por meio de Open Banking triplicou desde o início da pandemia. 

Aqui no Brasil, o Banco Central começou a implementação do sistema no início de 2021. E as mudanças não param por aí: o Open Banking, até o final deste ano, será Open Finance, um sistema que abrange muito mais do que apenas os bancos. 

Essa revolução interfere não apenas no modo como as instituições desenvolvem seus serviços e ofertas, mas também ampliará a concorrência e a eficiência do sistema brasileiro. Mas quais serão os impactos dessa mudança de regras no mercado financeiro?

No dia 12 de agosto de 2021, a Qintess realizou um webinar que reuniu especialistas sobre o assunto. Intitulado “Open Finance: A Revolução do Mercado Financeiro”, o evento teve o objetivo de discutir o conceito e os benefícios do Open Finance, assim como os setores impactados e as novas oportunidades de negócio.

Clique aqui para assistir ao evento na íntegra.

Neste paper, procuramos reunir os principais insights discutidos em nosso webinar, além das previsões para alguns setores como seguros, varejo e investimentos.

Continue lendo e saiba tudo sobre essa revolução!

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O que é Open Finance? 

O Open Finance é uma ampliação do Open Banking. Um sistema financeiro aberto, gratuito e seguro para o compartilhamento de dados que, além de funcionar para bancos, pretende incluir todo o ecossistema financeiro, como corretoras, seguradoras, companhias de câmbio, e fundos de previdência. Assim, o Open Finance contempla processos de Open Banking, Open Insurance, dentre outros. 

De acordo com Celso Kleber, CTO da Qintess, a necessidade de trazer mais competitividade ao setor financeiro e proporcionar uma maior democratização do crédito trouxe reflexões ao órgão regulador. Inicialmente, o Open Banking apareceu como o propulsor central de toda essa transformação dos serviços financeiros. Agora, vem a proposta do Open Finance, trazendo soluções personalizadas, com o melhor serviço e com preços mais justos. 

O objetivo é democratizar diversos tipos de produtos financeiros, para que as empresas possam compartilhar as informações entre elas e o cliente ter o direito de escolher qual instituição oferece as melhores condições para cada serviço.

Para o presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, o Open Finance é um projeto que democratiza a indústria de dados, permitindo o crescimento da economia. 

“O Open Banking não é mais o que entendemos que o projeto deveria ser. O que está a caminho não é somente uma fusão de bancos com fintechs. O que está a caminho é uma fusão de mídia social com indústria financeira.” - Roberto Campos Neto

Na prática, o Open Finance irá muito além dos bancos. O modelo funciona como uma espécie de rede de dados entre instituições financeiras, que com o aval do usuário, poderá evoluir para uma integração de toda a cadeia de produtos e serviços, tal como varejo e bens de consumo.

Para os consumidores, isso abre um mundo de possibilidades financeiras. Com o Open Finance, os consumidores podem ter acesso mais eficaz a sistemas de poupança, fundos de pensão, seguros, crédito e investimentos.

“Não é só Banking. É Finance mesmo. É tudo. A gente terá em vários canais de distribuição a possibilidade de as pessoas resolverem suas questões financeiras, por ali mesmo. Os canais de distribuição serão exponenciados.”  Fábio Lins (Banco Original), no Webinar A Revolução do Open Finance

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Quais serão os benefícios do Open Finance? 

Para o usuário:

O movimento Open Finance fornece autonomia e propriedade ao usuário com relação ao compartilhamento de dados, fazendo com que ele possa se beneficiar da livre concorrência e das melhores condições em todo o ecossistema de serviços financeiros. O resultado? Mais liberdade e redução de burocracias.

Para Leandro Nóbrega, Líder de Operações da América Latina na Belvo, há, no Brasil, um problema ainda maior que a desbancarização: a sub-bancarização, ou seja: o usuário possuir conta aberta em um banco mas não acessar os produtos financeiros e não movimentar o dinheiro. Isso se dá por diversos motivos, seja pelo formato inadequado ou pelas taxas elevadas, por exemplo.

É por isso que com o Open Finance o usuário terá muito mais controle sobre a própria vida financeira, e tudo em um só lugar. Compartilhando suas informações, as instituições conhecerão mais o seu perfil e desenvolverão as melhores ofertas.

Para as empresas:

Com os dados do usuário, as empresas possuirão maior embasamento para ofertas assertivas e condições de produtos, além de outros benefícios. Nesse sentido, o Open Finance também contribuirá para o surgimento de novos modelos de serviços no mercado. 

No setor varejista, o novo sistema vai trazer uma série de oportunidades, já que o compartilhamento de informações permitirá a criação de opções de parcelamento e financiamentos customizados às condições financeiras dos clientes.

Segundo Fábio Lins, Superintendente Executivo de canais, Pix e Open Banking do Banco Original, o Brasil entra de fato em uma grande trajetória de democratização dos serviços financeiros não somente para as pessoas físicas, mas também para as empresas. Principalmente para os microempreendedores individuais, que tiveram os seus negócios prejudicados pela pandemia e nesse momento de retomada vão precisar de um apoio maior.

“Antigamente o processo era ‘inside out’, ou seja: o cliente precisava obedecer às regras de quem detinha suas informações. Hoje, o movimento é ao contrário: o cliente dita as regras sobre o produto que quer consumir. Assim, o business começa a ser gerado em cima disso: o cliente no centro de tudo.” Leandro Nóbrega (Belvo) no Webinar A Revolução do Open Finance

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Quais dados serão compartilhados? É seguro?

No Brasil, a implementação do sistema será gradual e realizada em fases. Até o final de 2021, está previsto o compartilhamento, entre as instituições, das seguintes informações do usuário: dados cadastrais e transacionais de clientes relacionados a conta de depósito; cartão de crédito; operações de crédito; conta-salário; operações de câmbio; credenciamento em arranjos de pagamento; investimento; seguros e previdência complementar aberta.

Importante: o compartilhamento dessas informações só acontece com a autorização do usuário.

Segundo o Banco Central, o usuário poderá escolher como, quando e com qual instituição participante irá compartilhar os dados, e poderá interromper esse consentimento a qualquer momento. O processo será 100% digital e realizado dentro de um ambiente totalmente seguro.

Leandro Nóbrega ressalta que a segurança não é um estado, e sim um sentimento. Segundo ele, a pessoa da ponta precisa se sentir segura. Assim, é preciso disseminar toda uma educação digital para que o usuário possa aproveitar essa nova estrutura.

"O Open Banking foi construído em cima da LGPD (Lei Geral de Proteção de Dados); assim, possui todos os protocolos de segurança e proteção." Luiz Gustavo Nugnes (TecBan), no Webinar A Revolução do Open Finance

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Quando será a implementação no Brasil?

Ao todo, são 4 fases de implementação do conceito até chegar-se, efetivamente, ao Open Finance. Veja quais são elas:

Fase 1 (01/02/21)

Compartilhamento das informações sobre canais de atendimento, serviços e produtos financeiros das instituições. O cliente ainda não participa.

Fase 2 (13/08/21)

O cliente poder compartilhar, com as instituições que desejar, dados cadastrais, transações em conta e informações sobre cartões e operações de crédito.

Fase 3 (30/08/21)

Consumidores terão acesso a serviços como pagamentos e propostas de crédito não apenas nos canais das instituições financeiras.

Fase 4 (15/12/21)

Ampliação do conceito Open Banking para incluir mais opções de dados que poderão ser compartilhados. Aqui, chega-se ao Open Finance.

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O Open Finance e as seguradoras

Com o compartilhamento dos dados do cliente entre as instituições, surge o conceito de Open Insurance - que impacta o setor de seguros.

Assim, os produtos, serviços e informações de uma seguradora ficam disponíveis para o consumo das outras. Com a chegada do Open Insurance, a quantidade de informações compartilhadas pelos clientes permitirá que as organizações possam desenvolver produtos específicos para cada um dos usuários

De acordo com Eduardo Fraga de Melo, diretor na SUSEP (Superintendência de Seguros Privados), os seguros já estão mais presentes na vida do usuário do que ele imagina. Enquanto dirige, por exemplo, o rastreador do carro e o seguro contratado para o automóvel recebem informações; quando utiliza o plano de saúde ou o seguro de vida, também.  

O Open Insurance possibilita que as instituições explorem novos serviços de seguros. Um deles, por exemplo, seria a cobertura em desastres naturais, que têm acontecido com muito mais frequência por conta das alterações climáticas.  

Esse foco no cliente final irá impactar positivamente a competição entre as empresas: as instituições precisarão estar empenhadas em utilizar da melhor forma as informações que possuírem sobre seus clientes se desejarem alcançar sucesso no mercado.

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O Open Finance e o varejo

O Open Finance permitirá que os usuários compartilhem seus dados financeiros com praticamente qualquer empresa. Assim, vários setores da economia poderão desenvolver novos produtos e serviços para os clientes, e o setor varejista não fica de fora dessa.

Esse compartilhamento de dados possibilitará aos varejistas desenvolver opções de parcelamento e financiamentos personalizados às condições financeiras de seus clientes. As informações de transações, por exemplo, permitirão aos varejistas saber o quanto eles estariam dispostos a pagar por um produto.

Além de reduzir o nível de inadimplência das operações, será também uma forma das empresas diminuírem gastos com sistemas de recuperação de dívidas e provisões de devedores, por exemplo. 

Ampliando ainda mais possibilidades, essas informações poderão ser utilizadas na criação de campanhas personalizadas. Detectando, por exemplo, que o cliente contratou um financiamento imobiliário, a empresa poderá enviar à ele propagandas sobre móveis e eletrodomésticos.

“Segundo o BC, até o final deste ano serão mais de 700 empresas participando desse ecossistema. A expectativa é que elas possam oferecer ao cidadão soluções personalizadas com preços mais justos." Celso Kleber (Qintess), no Webinar A Revolução do Open Finance

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O Open Finance e os investimentos

No âmbito dos investimentos, uma das grandes expectativas com a chegada do Open Finance é a portabilidade

É esperado que os usuários possam migrar seus investimentos de uma plataforma a outra com mais facilidade e inteligência. Dessa forma, haverá um aumento na competitividade - com o usuário adquirindo mais autonomia no mercado.

As empresas vão precisar estar muito à frente do cliente, ofertando seus produtos exatamente onde ele está consumindo. Assim, as prateleiras das instituições ficarão mais diversificadas, com maior disponibilidade de produtos concorrentes. 

Tudo isso reflete uma certeza para a maioria dos players de investimentos: com o compartilhamento de dados, o cliente estará no centro do mercado. Atualmente, algumas instituições já disponibilizam produtos e serviços de terceiros em suas plataformas. Com o Open Fiance, a tendência é que isso aumente ainda mais.

Somado a isso, segundo dados da Economática, temos um mercado mais maduro e conveniente para investimentos. Só em 2020, a B3 ganhou mais de 3 milhões de investidores pessoa física até outubro, um aumento de 80% em relação ao mesmo período de 2019. Nas instituições, foram registradas 27 ofertas primárias de ações, contra apenas cinco no ano anterior. 

Em 2021, o setor promete continuar aquecido: 13 empresas já estrearam na B3 esse ano, cinco pediram autorização e 37 operações já estão em análise.

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O Open Finance e a tecnologia

Para entendermos o processo tecnológico que está por trás do sistema Open Finance, precisamos falar sobre as APIs.

A Application Programming Interface, ou Interface de Programação de Aplicativos em português, é o recurso que possibilitará o compartilhamento de informações entre as instituições de maneira padronizada. E essa interface não surgiu com o Open Banking: ela é um importante elemento universal da tecnologia que é usado para conectar sistemas em diversas áreas.

Serão as APIs que permitirão a troca de dados de clientes entre as instituições. Todas elas receberão e enviarão os dados no mesmo padrão, e esse processo será supervisionado e regulado pelo Banco Central.

E aqui está o maior obstáculo: as instituições precisarão encontrar soluções para os desafios que a implementação do sistema vai trazer em termos de desenvolvimento de tecnologia e integração. 

As APIs não só terão que garantir uma transmissão segura de dados, mas também seguir os padrões definidos pelo regulador. E se isso não for realizado de maneira correta, os custos dessa jornada, para as instituições, poderão ser enormes.

No Reino Unido, por exemplo, a expectativa era que a implementação do Open Banking custasse aproximadamente 1 milhão de libras por instituição. Entretanto, o processo gerou custos de 1,5 bilhão de libras ao todo, considerando os nove maiores bancos do país.

Isso porque esse processo não inclui apenas o desenvolvimento de APIs, mas também a criação de outros elementos, como reports regulatórios, integrações com o diretório de participantes e a gestão de consentimento.

É por isso que as instituições, se quiserem reduzir significativamente o custo e o tempo da operação, precisarão realizar parcerias com empresas de tecnologia que desenvolvam soluções estratégicas para a implementação e integração do sistema.

Assim, é possível focar no que realmente importa: em novas ofertas e soluções que gerem valor a seus consumidores, garantindo vantagem competitiva frente aos concorrentes.

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Conclusão

Na era da informação, os dados se tornaram o capital mais valioso que uma empresa pode ter a respeito de seus clientes. Para alguns especialistas, inclusive, eles seriam o “novo petróleo” da atualidade - e um grande combustível para o futuro.

O Open Finance vem como uma nova proposta de modelo de negócios que simplifica os processos do mercado financeiro através do compartilhamento de dados, acelerando inovações, ampliando os canais de distribuição e atendimento e gerando novas receitas por meio de plataformas digitais.

Para os usuários, o Open Finance representará transparência e controle sobre informações – além do surgimento de melhores condições em todo o ecossistema de serviços financeiros. 

Para as empresas, os impactos dessa revolução estarão refletidos, principalmente, na ampliação da concorrência entre as instituições, já que o foco estará centrado 100% no cliente; e no surgimento de novos modelos de negócio.

Mas existe, também, outro impacto que precisa ser levado em consideração: o tecnológico.

Agora, neste exato momento, estão sendo desenvolvidas as soluções que moldarão o futuro das instituições financeiras. E, assim como o Open Banking vem para simplificar processos no mercado, é papel das empresas de tecnologia simplificar ao máximo a implementação do sistema.

Aliando expertise, conhecimento de negócio, segurança e tecnologia, estamos desenvolvendo uma solução capaz de turbinar a adaptação das instituições ao contexto digital Open Finance, criando experiências inovadoras aos consumidores, sem descuidar dos sistemas legados.

O Open Finance é uma realidade e o desafio foi lançado.

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