Este artigo é sobre Covid-19

O papel dos líderes durante e depois da pandemia do novo coronavírus

Rogério Dias

Chief of Staff da Qintess

Publicado em
01 de Julho de 2020

Entenda qual será o papel dos líderes na economia pós-coronavírus.

Ninguém está preparado para gerenciar uma pandemia de proporções globais sozinho. Mas isso não significa que podemos viver sem liderança. De todas as mudanças que vivemos recentemente, com o avanço do novo coronavírus, a principal lição que podemos tirar até aqui parece ser justamente essa: cada um de nós tem seu papel, mas é fundamental que tenhamos lideranças capazes de ajudar a organizar as decisões e prover um ambiente mais coeso e sustentável para as pessoas. No segmento de TI, essa liderança torna-se ainda mais necessária em virtude do dinamismo com que surgem novas tecnologias.

Não há como dizer que esse é um instante simples. O surto de COVID-19 é uma questão de saúde pública, com impactos emocionais e financeiros sem precedentes – certamente maior do que tudo que já passamos no século XXI. Por isso, além de uma crise, a pandemia também marcará uma verdadeira quebra de paradigmas, com a alteração de muitos dos modelos de trabalho que conhecíamos até pouco tempo.

Por exemplo: estamos vivendo uma época em que a empatia e as parcerias passaram a ter uma importância muito maior na vida das pessoas. Mais do que capacidade de predizer cenários, portanto, as lideranças precisam oferecer uma visão humana, necessária para apoiar e tranquilizar cada um dos colaboradores de suas equipes.

Penso que temos de oferecer alternativas para o mundo que virá. Afinal de contas, a única certeza é que, mais cedo ou mais tarde, venceremos o vírus e teremos de reerguer a sociedade como um todo. Uma estratégia que já vínhamos aplicando em nossas empresas e que certamente contribuirá com a reconstrução é incentivar ideias e pensamentos diferentes, com pontos de vista diversos.

De modo geral, acredito que estávamos tão acostumados com nossa rotina e com o excesso de opções que, agora, diante da paralisação causada pelo coronavírus a nível mundial, acabamos nos colocando em estado de choque. Sair da inércia com certeza exigirá de todos ainda mais foco e energia - algo essencial para os líderes dos novos tempos. Exigirá, também, um pensamento mais inclusivo, como o que temos incentivado em nosso grupo, a partir de uma proposta mais coletiva e aberta à empatia e à valorização das pessoas.

O líder deve, a meu ver, direcionar as ações, estimular as atitudes de suporte às pessoas e oferecer, por meio de inteligência emocional e de um comportamento sóbrio, os melhores caminhos para que as equipes – e, consequentemente, as organizações - retomem suas jornadas de evolução e melhoria contínua.

Vale dizer, contudo, que essa necessidade de valorizar as pessoas não surgiu com a pandemia. O vírus apenas acentuou uma demanda que já rondava a estrutura das lideranças nas empresas. Muito antes do avanço da COVID-19, por exemplo, pesquisas já indicavam que a maioria das organizações precisava rever seus conceitos de liderança, colaboração e participação. Para quem vive o dia a dia das empresas e a rotina das equipes, no entanto, esse sentimento já estava certamente presente.

As questões envolvendo o coronavírus apenas trouxeram à tona uma necessidade que era negligenciada por muitas companhias. Como resultado, agora parece inadiável que as lideranças trabalhem a empatia, a inteligência emocional, a resiliência e a colaboração como estruturas vitais de suas estruturas. Essas soft skills permitirão aos gestores entender os desafios das pessoas, buscar novas perspectivas para suas equipes e transformar o rumo dos negócios na operação como um todo.

Realmente acredito que o líder moderno deve enxergar as oportunidades para construir parcerias, olhar para o público com afinco e estabelecer um grau máximo de colaboração entre todos os que estão engajados nesse mesmo objetivo. Talvez, nesse sentido, a maior mudança entre o chefe do passado e o líder do futuro seja perceber que, além de confiança, é preciso também distribuir esperança.

Agora, o momento é de inspirar as equipes, cuidar das pessoas e mostrar como a organizações podem ajudar o mundo. Depois, é equilibrar as forças e engajar os times a proporem juntos a reconstrução. Nada disso será possível sem líderes que realmente tenham consciência de que o maior valor de uma organização está, sem dúvida, nas pessoas. Os profissionais que sairão fortalecidos dessa crise serão os que conseguirem mais rapidamente responder às mudanças do mercado e orientar o rumo de seus times e suas empresas para uma nova fase de crescimento. Os desafios são grandes, mas a boa notícia é que a tecnologia se antecipou a este cenário inimaginável e, mais humanizada, já está disponível para acelerar esse processo de transformação.

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